A fronte della crisi economica mondiale, il Movimento dei Sem Terra (MST) si è riunito a Caruaru in Brasile nel gennaio dell'anno appena iniziato e ha elaborato questo documento che fotografa una situazione comune a molti Paesi
Carta de Caruaru
A atual crise mundial do capitalismo, iniciada ainda em 2008, causa o
aumento do desemprego, do crescimento da desigualdade social, a
concentração da renda e riqueza além de intensificar o uso do aparato
repressivo do Estado em todas as partes do mundo.
O grande capital se mostra incapaz de apontar saídas para essa crise do
capitalismo. Acentua-se que será uma crise profunda, prolongada, que
exigirá reformas estruturais. E suas consequências sociais são
imprevisíveis.
No cenário nacional, à crise internacional do capitalismo soma-se o
esgotamento do modelo neodesenvolvementista, baseado no crescimento
econômico e na distribuição de renda com conciliação de classes,
iniciado em 2003.
Frente à gravidade da crise, a classe dominante demonstra não ter
unidade em torno de um novo projeto hegemônico para o país. Há setores
da burguesia que persistem na defesa do modelo neodesenvolvimentista. E
há outra parcela que almeja a retomada e o aprofundamento do modelo
neoliberal.
A presidenta Dilma Rousseff, desde o início do seu 2º mandato, errou em
implementar um programa econômico de medidas neoliberais, adotado do seu
adversário político, derrotado nas urnas. Tal equívoco causou o
agravamento da crise econômica e fragilizou o apoio popular que lhe
assegurou a vitória nas últimas eleições presidenciais.
Mesmo assim, o governo seguiu cedendo ao grande capital, retirando
direitos sociais e trabalhistas e dando continuidade ao ajuste
econômico, que mostrou-se fracassado em 2015.
As anunciadas reformas trabalhistas e da previdência social – que
penalizam a classe trabalhadora e, especialmente, as mulheres camponesas
– são inaceitáveis; e, se concretizadas, provocarão uma onda de lutas
populares em todo o país contra o governo.
Da mesma forma exigimos que o governo enfrente o modelo de agricultura
do agronegócio. É uma agricultura financiada pela poupança social e
subsidiada com recursos públicos, destinada a atender os interesses do
mercado internacional. Esse modelo de agricultura provoca a concentração
de renda e da propriedade da terra, aumenta a desigualdade social,
produz alimentos com agrotóxicos, promove uma irracional destruição
ambiental em nosso país e subordina toda cadeia produtiva agropecuária
ao controle e interesses das empresas transnacionais e do capital
financeiro.
Todo este contexto sinaliza um novo período histórico da luta de
classes. Cabe à classe trabalhadora enfrentar o desafio de impulsionar
as lutas populares nas ruas, construir a unidade da classe e alimentar o
povo brasileiro com os ideais de uma sociedade avançada, socialmente
justa e democrática.
Urge a classe trabalhadora construir coletivamente, através de todas as
mediações, sindicatos, movimentos populares e partidos políticos
progressistas, um novo projeto político para o país. Um projeto
alicerçado na defesa e no aprofundamento da democracia popular, na
distribuição da riqueza e na soberania nacional.
A Frente Brasil Popular (FBP), criada em setembro/2015, em Belo
Horizonte/MG, logrou unidade de uma parcela da classe trabalhadora em
torno de uma plataforma política mínima de um projeto político para o
Brasil. Como integrante da FBP, faremos todos os esforços para a sua
consolidação nos estados e municípios. Cabe-nos, ainda, a tarefa de
ampliar a FBP com outros setores e organizações, além de aprofundar o
diálogo com outras Frentes existentes.
No campo, diante da ineficiência e apatia do governo em adotar medidas
favoráveis à Reforma Agrária, iremos intensificar as mobilizações
populares, as ocupações de latifúndios improdutivos e das fazendas, como
estabelece a Constituição Federal de 1988, que não cumprem a função
social.
Lutaremos pela Reforma Agrária Popular, centrada na distribuição da
terra às famílias camponesas e em um novo modelo de agricultura
brasileira. Uma agricultura que priorize a produção de alimentos sadios,
baseada na agroecologia e na cooperação agrícola, associada com a
implantação de agroindústrias nas áreas da Reforma agrária.
A Reforma Agrária Popular é indissociável do direito da população do
campo ter acesso à educação e ao conhecimento. Assim, lutaremos contra o
fechamento das escolas do meio rural e exigiremos, para cada área de
assentamento, a existência física de escolas que assegurem uma educação
pública, de qualidade social e gratuita. Educação é um direito e não uma
mercadoria!
Juntos com a Via Campesina e os demais movimentos populares do campo,
lutaremos pela soberania alimentar de todos os povos, em defesa das
sementes como um patrimônio da humanidade, e pelo alimento ser um
direito do ser humano e não uma mercadoria que visa apenas os lucros das
empresas transnacionais, às custas da miséria e da fome de milhões de
seres humanos.
Enfim, assumimos o compromisso de dar continuidade e intensificar as
lutas populares de 2015. Iremos, em 2016, voltar às ruas contra forças
imperialistas, a direita partidária, o conservadorismo do Congresso
Nacional, o oligopólio da mídia, os setores reacionários e golpistas
incrustados no aparato estatal. Estes querem fazer o país retroceder nas
conquistas democráticas já obtidas, nos direitos trabalhistas
conquistados e no avanço das políticas econômicas que reduzem a
desigualdade social.
Será um ano de muitas lutas e de superação de desafios na construção da
unidade da classe trabalhadora, do reascenso das lutas populares, da
solidariedade com todos os povos em lutas e na construção de um projeto
político popular para o nosso país.
Caruaru/PE, janeiro de 2016.
Coordenação Nacional do MST
Lutar, construir a Reforma Agrária!
Il suono dell'universo.
giovedì 4 febbraio 2016
domenica 15 novembre 2015
“Os agrotóxicos estão produzindo cada vez mais câncer e destruindo a biodiversidade”
14/nov/2015, 20h53min
fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/os-agrotoxicos-estao-produzindo-cada-vez-mais-cancer-e-destruindo-a-biodiversidade
Marco Weissheimer
É moderno um modelo de produção agrícola que expulsa as pessoas do campo para a periferia das grandes cidades, produz cada vez mais casos de câncer por causa do uso intensivo de agrotóxicos e que colabora para destruir a biodiversidade do planeta? Essa pergunta serviu de fio condutor à aula pública proferida na manhã de sábado (14), no Parque da Redenção, em Porto Alegre, por João Pedro Stédile, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A aula pública, realizada ao lado da tradicional feira de produtos agroecológicos da Redenção, foi uma iniciativa da Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável, presidida pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT), em parceria com movimentos sociais como o MST e a Via Campesina.
Stédile iniciou a aula pública fazendo uma contextualização histórica do surgimento desse modelo de produção. “Estamos vivendo um período muito difícil na história da humanidade. Da década de 90 para cá, o planeta foi reorganizado na sua economia por uma nova etapa da ordem capitalista marcada pelo domínio do capital financeiro e das grandes corporações. Hoje, cerca de 500 empresas dominam 60% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, sendo que 50 delas atuam no setor da agricultura. Nunca antes na história, toda a humanidade esteve sob o domínio de um único modelo como ocorre agora. O capitalismo financeiro tomou conta do planeta”, assinalou. É neste domínio, acrescentou, que devem ser buscadas as verdadeiras causas da crise econômica que o Brasil enfrenta agora.
Capitalismo sequestrou função social da agricultura
No plano da agricultura, disse ainda Stédile, o capitalismo financeiro sequestrou a principal função social dessa atividade, que é a produção de alimentos para a reprodução da vida humana. “O capitalismo sequestrou essa função e transformou-a em um mero mecanismo de apropriação de riqueza. Houve uma nova divisão internacional da produção agrícola. Um grupo de aproximadamente 50 empresas decidiu, por exemplo, que o Brasil deveria passar a produzir fundamentalmente soja, carne de gado, etanol e celulose. No Brasil, 85% das terras cultivadas, se destinam só a cinco culturas: soja, milho, pastagem, cana de açúcar e eucalipto. Cerca de 70 mil proprietários de terra fizeram uma aliança com essas empresas para implementar esse modelo. A Argentina, que no século XX chegou a ser chamada de celeiro do mundo, hoje só produz soja”.
Esse modelo hegemonizado por grandes corporações, apontou o dirigente do MST, realizou outros movimentos importantes. Um deles foi a padronização dos alimentos que foram transformados em mercadorias padronizadas. “Hoje, você vai em um supermercado em Pequim e ele é praticamente igual ao Zaffari”. Outro é a uniformização dos preços. “Marx até suspeitou que isso poderia acontecer, mas nunca na escala em que ocorreu. Ele escreveu no Capital que o preço das mercadorias é determinado pelo tempo de trabalho necessário para produzi-las. Ocorre que esses tempos de produção são diferentes dependendo das circunstâncias. O capitalismo uniformizou esses preços, que, hoje, são controlados por oligopólios. Ninguém mais sabe o valor exato das culturas do arroz, do feijão ou de outros alimentos. A safra de soja de 2019 já está vendida na Bolsa de Amsterdã a um determinado preço. Essa uniformização dos preços afetou a agricultura camponesa em todo o muno”, disse Stédile.
A dependência em relação aos bancos
O controle de toda a cadeia de insumos, da semente aos agrotóxicos, permitiu que essas empresas modificassem todo o processo de produção. Uma das características desse novo padrão é a produção na maior escala possível para ter lucro máximo. “Os fazendeiros brasileiros”, observou Stédile, “são obrigados a aumentar cada vez mais a sua área de produção, pois têm que dividir seu lucro com essas empresas e com os bancos que financiam os plantios”. “Cerca de 65% do custo da produção de arroz hoje é com agroquímicos fabricados por essas grandes empresas. Além disso, a dependência em relação aos bancos é total. Nenhum fazendeiro consegue produzir hoje com recursos próprios. E há um ilusionismo estimulado pelo governo quando diz que está disponibilizando tantos bilhões para a agricultura. Não é o governo que disponibiliza. Esse dinheiro que é emprestado pelos bancos sai das nossas contas correntes, sem que recebamos qualquer juro por isso”.
Outra marca desse modelo é a imposição de sementes transgênicas, combinada com os agrotóxicos correspondentes a elas. João Pedro Stédile contestou o discurso dos que definem a transgenia na agricultura como uma conquista da modernidade. “Nada mais atrasado que o capital impor a propriedade privada de sementes. Isso existe no Brasil porque, em 1995, o governo Fernando Henrique Cardoso aprovou a lei de patentes para organismos vivos, que abriu as portas para o patenteamento de sementes. Não há nada de moderno nas sementes transgênicas, nem do ponto de vista da produtividade. A Embrapa tem hoje variedades de soja que tem uma produtividade maior que a Roundup Ready, da Monsanto. Mas ninguém fala disso”.
A conexão entre agrotóxicos e câncer
Junto com os transgênicos veio o aumento exponencial do uso de agrotóxicos. Segundo Stédile, há uma falácia que segue sendo repetida diariamente e que afirma a impossibilidade de produzir sem agrotóxicos em um clima tropical. Pelo menos eles são didáticos, ironizou Stédile, pois batizam a semente com o mesmo nome do agrotóxico correspondente, como ocorre no caso da Roundup. Além disso, acrescentou, outra consequência grave desse modelo foi o uso de agrotóxicos como substitutos de mão de obra. “Nos últimos dez anos, 2,4 milhões e trabalhadores rurais perderam o emprego no campo. Foram substituídos pelo veneno. Esse é o cenário que temos”.
Mas, por mais que o capital seja hegemônico, disse Stédile, as suas práticas vêm alimentando contradições que levam a uma crise. A primeira delas, apontou, é que os agrotóxicos estão produzindo cada vez mais câncer. Em março deste ano, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou um artigo que sistematizou pesquisas sobre o potencial cancerígeno de cinco ingredientes ativos de agrotóxicos realizadas por uma equipe de pesquisadores de 11 países, incluindo o Brasil. Baseada nestas pesquisas, a agência classificou o herbicida glifosato e os inseticidas malationa e diazinona como prováveis agentes carcinogênicos para humanos e os inseticidas tetraclorvinfós e parationa como possíveis agentes carcinogênicos para humanos. Destes, a malationa, a diazinona e o glifosato são amplamente usados no Brasil. Herbicida de amplo espectro, o glifosato é o produto mais usado nas lavouras do Brasil, especialmente em áreas plantadas com soja transgênica.
A partir do levantamento publicado pela Iarc, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou uma nota oficial este ano chamando a atenção para os riscos que a exposição ao glifosato e a outras substâncias representam para a saúde dos brasileiros. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos, o Inca cita, além do câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico. O Inca e a Organização Mundial da Saúde estimam que, nos próximos cinco anos, o câncer deve ser a principal causa de mortes no Brasil. Stédile citou o caso da descoberta de glifosato no leite materno de mulheres residentes em Lucas do Rio Verde (GO), que foram contaminadas pelo glifosato presente na água da chuva.
O valor da encíclica Laudato Si
O uso de agrotóxicos, também apontou Stédile, está contribuindo decisivamente para a destruição da biodiversidade, com influência no clima. “O veneno destrói a biodiversidade. O Roundup destrói tudo, menos a soja. Não é preciso ser especialista para entender o que está acontecendo com o clima no Rio Grande do Sul. Estão plantando soja até em cemitério. A falta de água em São Paulo é outro exemplo e está ligada ao desaparecimento de rios e nascentes que abasteciam o sistema da Cantareira”.
Por fim, o dirigente do MST destacou que a recente encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, também faz parte dessas contradições inerentes ao atual modelo hegemônico. “A crise dentro da Igreja, que também está dominada pelo capital, acabou gerando esse novo papa. A encíclica Laudato Si é uma obra prima de causar inveja ao velho Marx. Todo militante socialista e revolucionário tem que ler e ter em casa esse livro. Nele, encontramos os fundamentos doutrinários que explicam porque a humanidade tem que se levantar contra esse modelo que ameaça e destrói a vida”.
fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/os-agrotoxicos-estao-produzindo-cada-vez-mais-cancer-e-destruindo-a-biodiversidade
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| João Pedro Stédile: “O capitalismo sequestrou a função social da agricultura e transformou-a em um mero mecanismo de apropriação de riqueza”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21) |
Marco Weissheimer
É moderno um modelo de produção agrícola que expulsa as pessoas do campo para a periferia das grandes cidades, produz cada vez mais casos de câncer por causa do uso intensivo de agrotóxicos e que colabora para destruir a biodiversidade do planeta? Essa pergunta serviu de fio condutor à aula pública proferida na manhã de sábado (14), no Parque da Redenção, em Porto Alegre, por João Pedro Stédile, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A aula pública, realizada ao lado da tradicional feira de produtos agroecológicos da Redenção, foi uma iniciativa da Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável, presidida pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT), em parceria com movimentos sociais como o MST e a Via Campesina.
Stédile iniciou a aula pública fazendo uma contextualização histórica do surgimento desse modelo de produção. “Estamos vivendo um período muito difícil na história da humanidade. Da década de 90 para cá, o planeta foi reorganizado na sua economia por uma nova etapa da ordem capitalista marcada pelo domínio do capital financeiro e das grandes corporações. Hoje, cerca de 500 empresas dominam 60% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, sendo que 50 delas atuam no setor da agricultura. Nunca antes na história, toda a humanidade esteve sob o domínio de um único modelo como ocorre agora. O capitalismo financeiro tomou conta do planeta”, assinalou. É neste domínio, acrescentou, que devem ser buscadas as verdadeiras causas da crise econômica que o Brasil enfrenta agora.
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| A aula pública foi realizada ao lado da tradicional feira de produtos agroecológicos da Redenção. (Foto: Guilherme Santos/Sul21) |
Capitalismo sequestrou função social da agricultura
No plano da agricultura, disse ainda Stédile, o capitalismo financeiro sequestrou a principal função social dessa atividade, que é a produção de alimentos para a reprodução da vida humana. “O capitalismo sequestrou essa função e transformou-a em um mero mecanismo de apropriação de riqueza. Houve uma nova divisão internacional da produção agrícola. Um grupo de aproximadamente 50 empresas decidiu, por exemplo, que o Brasil deveria passar a produzir fundamentalmente soja, carne de gado, etanol e celulose. No Brasil, 85% das terras cultivadas, se destinam só a cinco culturas: soja, milho, pastagem, cana de açúcar e eucalipto. Cerca de 70 mil proprietários de terra fizeram uma aliança com essas empresas para implementar esse modelo. A Argentina, que no século XX chegou a ser chamada de celeiro do mundo, hoje só produz soja”.
Esse modelo hegemonizado por grandes corporações, apontou o dirigente do MST, realizou outros movimentos importantes. Um deles foi a padronização dos alimentos que foram transformados em mercadorias padronizadas. “Hoje, você vai em um supermercado em Pequim e ele é praticamente igual ao Zaffari”. Outro é a uniformização dos preços. “Marx até suspeitou que isso poderia acontecer, mas nunca na escala em que ocorreu. Ele escreveu no Capital que o preço das mercadorias é determinado pelo tempo de trabalho necessário para produzi-las. Ocorre que esses tempos de produção são diferentes dependendo das circunstâncias. O capitalismo uniformizou esses preços, que, hoje, são controlados por oligopólios. Ninguém mais sabe o valor exato das culturas do arroz, do feijão ou de outros alimentos. A safra de soja de 2019 já está vendida na Bolsa de Amsterdã a um determinado preço. Essa uniformização dos preços afetou a agricultura camponesa em todo o muno”, disse Stédile.
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| Stédile citou o caso da descoberta de glifosato no leite materno de mulheres residentes em Lucas do Rio Verde (GO). (Foto: Guilherme Santos/Sul21) |
A dependência em relação aos bancos
O controle de toda a cadeia de insumos, da semente aos agrotóxicos, permitiu que essas empresas modificassem todo o processo de produção. Uma das características desse novo padrão é a produção na maior escala possível para ter lucro máximo. “Os fazendeiros brasileiros”, observou Stédile, “são obrigados a aumentar cada vez mais a sua área de produção, pois têm que dividir seu lucro com essas empresas e com os bancos que financiam os plantios”. “Cerca de 65% do custo da produção de arroz hoje é com agroquímicos fabricados por essas grandes empresas. Além disso, a dependência em relação aos bancos é total. Nenhum fazendeiro consegue produzir hoje com recursos próprios. E há um ilusionismo estimulado pelo governo quando diz que está disponibilizando tantos bilhões para a agricultura. Não é o governo que disponibiliza. Esse dinheiro que é emprestado pelos bancos sai das nossas contas correntes, sem que recebamos qualquer juro por isso”.
Outra marca desse modelo é a imposição de sementes transgênicas, combinada com os agrotóxicos correspondentes a elas. João Pedro Stédile contestou o discurso dos que definem a transgenia na agricultura como uma conquista da modernidade. “Nada mais atrasado que o capital impor a propriedade privada de sementes. Isso existe no Brasil porque, em 1995, o governo Fernando Henrique Cardoso aprovou a lei de patentes para organismos vivos, que abriu as portas para o patenteamento de sementes. Não há nada de moderno nas sementes transgênicas, nem do ponto de vista da produtividade. A Embrapa tem hoje variedades de soja que tem uma produtividade maior que a Roundup Ready, da Monsanto. Mas ninguém fala disso”.
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| Evento foi uma iniciativa da Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Alimentação Saudável, presidida pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT). (Foto: Guilherme Santos/Sul21) |
A conexão entre agrotóxicos e câncer
Junto com os transgênicos veio o aumento exponencial do uso de agrotóxicos. Segundo Stédile, há uma falácia que segue sendo repetida diariamente e que afirma a impossibilidade de produzir sem agrotóxicos em um clima tropical. Pelo menos eles são didáticos, ironizou Stédile, pois batizam a semente com o mesmo nome do agrotóxico correspondente, como ocorre no caso da Roundup. Além disso, acrescentou, outra consequência grave desse modelo foi o uso de agrotóxicos como substitutos de mão de obra. “Nos últimos dez anos, 2,4 milhões e trabalhadores rurais perderam o emprego no campo. Foram substituídos pelo veneno. Esse é o cenário que temos”.
Mas, por mais que o capital seja hegemônico, disse Stédile, as suas práticas vêm alimentando contradições que levam a uma crise. A primeira delas, apontou, é que os agrotóxicos estão produzindo cada vez mais câncer. Em março deste ano, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou um artigo que sistematizou pesquisas sobre o potencial cancerígeno de cinco ingredientes ativos de agrotóxicos realizadas por uma equipe de pesquisadores de 11 países, incluindo o Brasil. Baseada nestas pesquisas, a agência classificou o herbicida glifosato e os inseticidas malationa e diazinona como prováveis agentes carcinogênicos para humanos e os inseticidas tetraclorvinfós e parationa como possíveis agentes carcinogênicos para humanos. Destes, a malationa, a diazinona e o glifosato são amplamente usados no Brasil. Herbicida de amplo espectro, o glifosato é o produto mais usado nas lavouras do Brasil, especialmente em áreas plantadas com soja transgênica.
A partir do levantamento publicado pela Iarc, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou uma nota oficial este ano chamando a atenção para os riscos que a exposição ao glifosato e a outras substâncias representam para a saúde dos brasileiros. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos, o Inca cita, além do câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico. O Inca e a Organização Mundial da Saúde estimam que, nos próximos cinco anos, o câncer deve ser a principal causa de mortes no Brasil. Stédile citou o caso da descoberta de glifosato no leite materno de mulheres residentes em Lucas do Rio Verde (GO), que foram contaminadas pelo glifosato presente na água da chuva.
O valor da encíclica Laudato Si
O uso de agrotóxicos, também apontou Stédile, está contribuindo decisivamente para a destruição da biodiversidade, com influência no clima. “O veneno destrói a biodiversidade. O Roundup destrói tudo, menos a soja. Não é preciso ser especialista para entender o que está acontecendo com o clima no Rio Grande do Sul. Estão plantando soja até em cemitério. A falta de água em São Paulo é outro exemplo e está ligada ao desaparecimento de rios e nascentes que abasteciam o sistema da Cantareira”.
Por fim, o dirigente do MST destacou que a recente encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, também faz parte dessas contradições inerentes ao atual modelo hegemônico. “A crise dentro da Igreja, que também está dominada pelo capital, acabou gerando esse novo papa. A encíclica Laudato Si é uma obra prima de causar inveja ao velho Marx. Todo militante socialista e revolucionário tem que ler e ter em casa esse livro. Nele, encontramos os fundamentos doutrinários que explicam porque a humanidade tem que se levantar contra esse modelo que ameaça e destrói a vida”.
sabato 3 ottobre 2015
Fracking Brasil
Governo federal autoriza, sem qualquer debate, método de extrair petróleo que contamina água, seres humanos e animais. Resistência à decisão começa sábado. Na Envolverde
Na Envolverde
Em
4 de Outubro, o Brasil e o mundo vão mostrar que o fracking não é
bem-vindo em nosso país. Neste dia, um domingo, haverá ampla mobilização
internacional de apoio à luta brasileira contra o fraturamento
hidráulico, também conhecido por fracking
Em
2013 o governo federal realizou o 12º Leilão de blocos do folhelho de
Xisto, para exploração de gás não convencional, impondo severos riscos à
população.
Fracking é
um processo destrutivo usado para extrair gás da rocha de xisto que se
encontra no subsolo. É preciso perfurar um poço profundo e injetar
milhões de litros de água misturada a centenas de produtos tóxicos e
cancerígenos e toneladas de areia a uma pressão alta o suficiente para
fraturar a rocha e liberar o gás metano.
Em
todo o mundo, as comunidades estão exigindo a proibição imediata desta
prática perigosa, pois contamina a água que serviria para o consumo
humano, indústria e agricultura e também os lençóis freáticos com
centenas de produtos químicos utilizados no processo. Além dos impactos
ambientais, econômicos e sociais, o fracking já está associado a
terremotos e também contribuiu para as mudanças climáticas.
Desenvolvida pela 350.orghttp://350.org/ Brasil e Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil, uma campanha de mobilização tem por objetivo impedir que ofracking aconteça
em nossas fronteiras, alertando gestores públicos e população para esta
ameaça que ronda o futuro de todos os brasileiros.
A sociedade precisa de se posicionar. E rápido.
No próximo 7/10, o governo gederal pretende leiloar 266 novos blocos para a exploração comercial de gás de xisto (shale gas) através do fraturamento hidráulico.
“A
decisão do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de
Petróleo e Gás Natural (ANP) em abrir as portas do país para operações
de fracking representa uma séria ameaça para a água que bebemos, para o
ar e também para a nossa saúde. Não queremos arriscar, pois fracking
mata tudo que está a sua volta.”, afirma o fundador e coordenador
nacional da Coesus, professor Juliano Bueno de Araujo.
Todo o processo de fracking –
de perfuração de um poço ao transporte de resíduos – põe em perigo o
abastecimento de água e a saúde das pessoas e animais. Há uma clara
evidência dos danos causados pela utilização do fraturamento hidráulico.
Para a diretora da 350.org Brasil,
Nicole Figueiredo de Oliveira, não bastasse todos esses perigos, há
outro elemento preocupante em relação ao fracking. “Mesmo após o fim da
operação do poço, continua o vazamento sistemático do metano, um gás de
efeito estufa que contribui para as mudanças climáticas e é 86 vezes
mais prejudicial que o CO². O fracking intensifica as mudanças
climáticas e representa uma ameaça ao planeta”, completa.
Ação contra o fracking
No domingo, dia 4 de Outubro, várias cidades já confirmaram participação no dia de ação contra o fracking no Brasil.
Toledo,
no Oeste do Paraná, promoverá um grande evento no Parque do Lago, às
17h, com apoio do Prefeito Municipal Beto Lunitti, vereadores,
sindicatos rurais e profissionais, lideranças religiosas, universidades e
população em geral.
Na
capital do Estado, Curitiba, a Coalizão Não Fracking Brasil programa
duas ações, uma delas ao meio dia na Feirinha do Largo da Ordem, na
Sociedade Garibaldi. Em Colombo, cidade da Região Metropolitana de
Curitiba haverá o Passei Ciclístico da Primavera, que tem como tema
central a campanha Não Fracking Brasil.
Diversas ações também estão sendo programadas na Bahia, Mato Grosso, Brasília, Minas Gerais e Acre.
Entre
os países que também vão participar já confirmaram Canadá, Portugal,
Espanha, Inglaterra e Peru. Outros ainda estão definindo suas ações.
Para saber mais sobre a campanha e como participar da ação do dia 4 de Outubro, acesse www.naofrackingbrasil.com.br
sabato 29 agosto 2015
Guaranì in città
di Chiara Madaro
| Il Cacique Cirilo |
“Sono diventato capo a 14 anni. Nella nostra
tradizione il figlio minore eredita il ruolo e le responsabilità del padre.
Sono stato educato fin da bambino a comportarmi come un capo Cacique, a
prendere decisioni. A 19 anni ho iniziato una lunga lotta per ottenere il
territorio che oggi ci appartiene – dice José Cirilo, oggi quarantenne – e mi
sono ammalato. Il contatto con la società e le regole dei bianchi mi ha fatto
ammalare. Sono guarito grazie a mia madre che è la curandera e il capo
spirituale della tribù”.
Nel Municipio di Porto Alegre vivono
stabilmente 7 gruppi indigeni appartenenti a tre diverse etnie. Mbyá-Guarani, Kaingang e Charrua, ciascuna delle
quali ha lingua, religione, organizzazione sociale, differenti. Nella geografia
della città trovano collocazione 7 raggruppamenti Kaingang e nuclei familiari
che abitano i “morros graníticos” (São Pedro, Santana, Glória do Osso), 3
raggruppamenti Mbyá-Guarani nelle terre pianeggianti e alte dei quartieri Lomba do Pinheiro, Lami e
Cantagalo e 1 raggruppamento Charrua nel quartiere Lomba do Pinheiro. Una ricchezza
culturale sconosciuta e disconosciuta dai
porto-alegrensi.
Approssimativamente
si calcola che nello Stato del Rio Grande do Sul vivano 350 famiglie e 1600
individui (Soares e Trindade, 2008) che occupano 90 mila ettari a fronte dei 90
mila milioni di ettari che appartengono allo Stato. La scarsità di terre
demarcate influenza negativamente la riproduzione culturale di questi popoli e
l’impossibilità di ottenere accesso alle risorse naturali.
I gruppi tribali e indigeni che vivono nelle periferie delle città hanno grossi problemi di sussistenza e di conservazione della loro lingua e tradizione. “Per conservare la cultura del popolo – dice il Cacique Cirilo – serve la terra”. Ma il suo popolo vive in un territorio abitato da bianchi, la riserva di 9 ettari ha una pianta ‘a macchia di leopardo’. La contaminazione è la naturale conseguenza. Oggi il Cacique sta iniziando una nuova trattativa con il Municipio di Porto Alegre per ottenere un Morro, una collina adiacente all’aldeia. Si tratta di altri 10 ettari di terreno, circa, su cui il comune intende realizzare un parco. “Per il nostro popolo sarebbe utile ottenere quella terra. La famiglia sta crescendo”.
La
situazione dei popoli indigeni in gran parte del Sudamerica è strettamente
legata alla terra. Il popolo di Cirilo, ad esempio, era originario dell’Argentina.
“Ai tempi della presa di Itaipù - racconta l’antropologa Mariana de A. Soares, responsabile per
i gruppi indigeni di Porto Alegre – dove poi fu costruita la diga, i popoli che
vivevano nella foresta, intorno alla cascata, furono cacciati. La famiglia di
Cirilo fuggì e si divise in cerca di nuove terre dove poter vivere. All’epoca
era molto giovane e diventò così capo del gruppo che, oggi, governa’.
Lontani dalla pittoresca immagine che
in Europa arriva sullo stile di vita e l’ambiente naturale in cui abitano i popoli
indigeni e tribali, i gruppi che si trovano in prossimità delle città vivono il
problema della povertà. In mancanza di terre in cui scorrano corsi d’acqua
ricchi di pesce, di foreste abitate da animali da cacciare e frutti da
raccogliere, questi popoli devono comprare gran parte di quello che consumano
per vivere. Come?
| Rosani Ries mostra le fasi della realizzazione del progetto |
“Ho pensato ad un progetto per il
recupero di antichi saperi che, ormai, si vanno perdendo, come l’artigianato
della ceramica – dice la Dott.ssa Ries – che potrà essere venduta ai turisti
interessati. Sarà di aiuto nei rigidi mesi invernali in cui è più difficile per
loro procurarsi del cibo”.
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| Le prime ceramiche realizzate nell'aldeia |
Ma il progetto avrà ricadute positive anche in estate. Nella cultura indigena i prodotti della terra non si possono vendere: “La Terra è sacra – spiega il Cacique - non si può vendere una cosa sacra”. E’ per questo che i popoli indigeni producono solo lo stretto indispensabile e mangiano solo quando hanno fame.
| Una delle classi della scuola dell'Aldeia Anhetengua. Il maestro insegna la scrittura Guaranì |
mercoledì 19 agosto 2015
Ciencia digna en tiempos indignos
Cómo se construye la ciencia digna en
tiempos indignos. A luta contra los agrotòxicos.
Agrotóxicos en Argentina: “Están
dañando el territorio, la genética y el futuro”
Resumen Latinoamericano/Mu, 17 de julio de 2015 –
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Seveso es médica especialista en Terapia
Intensiva y en Terapéutica Farmacológica, entre otras cosas, y siempre trabajó
con adultos. Primero en el servicio de terapia intensiva del Hospital Perrando,
en Resistencia. Luego se radicó en Presidencia Roque Sáenz Peña (segunda ciudad
más poblada del Chaco), donde dirigió el Servicio de Terapia del Hospital 4 de
Junio, del cual actualmente es miembro del Comité de Bioética. Además, integra
el Consejo de Bioética de la provincia del Chaco y forma parte de la Red de
Salud Popular doctor Ramón Carrillo, una organización que desde hace años
acompaña el reclamo de los pueblos fumigados. Su caso es similar al de otros
profesionales de la salud con las antenas paradas: una médica intensivista que
empezó a notar cosas raras. “Insuficiencias renales, deformidades físicas, y
después los cánceres – enumera-. Recibía personas que tenían enfermedades
gravísimas: unos entraban en coma, otros con insuficiencia respiratoria, y no
tenían un diagnóstico, pero la enfermedad había evolucionado muy rápidamente.
¿Qué estaba pasando entonces? Había algo que aceleraba los procesos”. Seveso
comenzó una investigación digna de cualquier serie norteamericana, con las herramientas
que tenía a mano: recurrió al sistema de datos del servicio de terapia
intensiva del Hospital 4 de Junio (centro de salud pública de referencia de la
mitad de la población del interior del Chaco) para ver qué decían esos números.
Cuenta:– “En la base de datos de pacientes internados se registraba un número
importante de mujeres con patología del embarazo y puerperio”.– “Predominaban
las que tenían complicaciones graves derivadas de la hipertensión inducida por
el embarazo”.– “En el año 2007 aumentaron en tal magnitud que igualaron a la
suma de los últimos 5 años anteriores. En ese año la siembra de soja
transgénica fue la más importante y así también las fumigaciones”.– “Comenzamos
a sospechar que había una relación, al igual que con otras enfermedades como
cáncer en personas más jóvenes y con evolución tórpida, enfermedades
neurológicas, respiratorias, etc.”– “En ese momento nos acercan la estadística
de neonatos con malformaciones que provienen de la misma región y que
triplicaban los datos de otros servicios de zonas no fumigadas”.– En la
actualidad, dice, la multiplicación es mayor.– Según los parámetros de la
normalidad, el 10% de las mujeres embarazadas puede tener esta problemática. En
el Hospital 4 de Junio, “de 10 que llegaban a Tocoginecología, 4 eran casos con
hipertensión inducida por el embarazo”. Es decir, el 40 por ciento.Seveso
cuenta que la hipertensión durante el embarazo es una enfermedad sistémica, que
enferma a los vasos y afecta a todos los órganos, y que produce nacimientos de
bebés en condiciones críticas: neonatos con bajo peso, puede haber
desprendimiento de placentas, corre riesgo la vida de la madre y el niño.
Hay que imaginarse a María del Carmen Seveso, metro cincuenta de estatura, andando por los pueblos del interior del Chaco, visitando los lugares de donde llegaban sus pacientes enfermos para atar los cabos sueltos: “Se sumaba a nuestra sospecha que en los pueblos, cuando hablábamos con el personal de salud -entre ellos médicos, agentes sanitarios- nos decían que el problema que tenían era que las embarazadas presentaban hipertensión”. Es decir, la tendencia que notaban en el hospital también la constató en los lugares que visitaba. ¿Cómo comprobar si esa tendencia estaba relacionada con los agrotóxicos? No contaban con laboratorios. “Justo en ese momento nos llega un informe de una investigación realizada en Colombia por el doctor Jaime Altamar Ríos que mencionaba que los herbicidas que se utilizan actualmente provocan los mismos cambios endócrinos y hormonales que se describen en estos embarazos”.
Eureka. Discapacidad
transgénica
Luego
llegaron las evidencias científicas. “Hasta entonces no había muchas
investigaciones publicadas, pero luego se pudo acceder a publicaciones de todas
partes del mundo y de nuestro país que informan sobre investigaciones que
demuestran que todos estos productos biocidas son los responsables del cambio
en el número de autismo, obesidad, problemas de aprendizaje”, dice Seveso. Su conclusión es contundente: “Todo
esto nos hace pensar que ya no tenemos que preguntarnos si estas enfermedades
son causadas por el envenenamiento del medio ambiente y la calidad de la
alimentación, sino al revés: tendríamos que preguntarnos qué enfermedad no es
causada por esto”. Otro dato escalofriante: la doctora Seveso conecta la
cantidad alarmante de escuelas para jóvenes discapacitados que hay en Chaco con
esta exposición crónica a los biocidas, término que refiere al paquete de
semillas transgénicas y agrotóxicos.En la actualidad son cuarenta las escuelas
públicas, distribuidas en distintas localidades, y en las ciudades más grandes
hay muchas más instituciones privadas. “Donde yo vivo, con una población de
89.800 habitantes hay aproximadamente 7 escuelas privadas y concentran una
matrícula de 700 niños con capacidades diferentes”, cuenta Seveso. Y razona:
“Si conectamos este dato al nuevo modelo de siembra, se entiende por qué hace
10 años la cifra de matriculados, en Sáenz Peña y en ese tipo de escuelas, era
sólo de 100. Es decir, 7 veces menor”. Concluye con otro dato clave: “Los niños
provienen de zonas fumigadas, prácticamente sin excepción”.
El mapa del cáncer
Durante el 2011 la doctora Seveso
formó parte de un equipo de investigación encabezado por Mirta Liliana Ramírez,
geógrafa, encargado de relevar las condiciones epidemiológicas de los
departamentos de Bermejo, Independencia y Tapenagá, de la provincia del Chaco.
Los resultados son contundentes: – En la localidad de Napenay (1.960
habitantes) el 38,9% declaró haber tenido en los últimos 10 años algún familiar
con cáncer.– En Avia Terai (5.446) el porcentaje era de 31,3%.– En La Leonesa (
8.420), el 27,4% tuvo un familiar con cáncer. – En Campo Largo, el 29,8%. – En
otros pueblos testigos que fueron encuestados y que son ganaderos - Charadai y
Cotelai - las respuestas positivas bajaron: sólo el 5 y el 3 %.El informe
también resaltaba el “alto grado de inequidad” observado al analizar la
exposición a los agrotóxicos: “Se observa una exposición desigual en los
residentes de las zonas rurales y urbanas, en los diferentes estratos
económicos de las zonas urbanas, entre los hombres y las mujeres, y los
trabajadores del sector formal e informal; y en particular, los niños y los
ancianos”. Seveso lo traduce a la realidad chaqueña: “Hay mucha gente muy pobre.
La mayoría no tiene agua potable y se abastecen de los pozos y de aljibes, que
es agua contaminada con agrotóxicos. Bañan a los bebés con esa agua, y la
toman, porque no tienen ni para comprar un bidón. Son los más vulnerables”,
reitera.
Lo insostenibile
El diagnóstico de la doctora Seveso
culmina en un razonamiento elemental, básico a toda ciencia: “En un sistema
sano todo está regulado. Es un tipo de sistema que, cuando hay una disrupción,
funciona mal. Es como cuando vos alterás algo del sistema operativo de una
computadora: se para, o se cuelga, o se te mete un virus. En síntesis: funciona
mal. En un sistema de equilibrio perfecto, este tipo de alteraciones que
representan los biotóxicos logran romperlo, porque son disruptivas. Los venenos
estos, todos, son productos diseñados para matar la vida”.¿En qué etapa estamos
ahora? “Estamos en una etapa en que la difusión está: la gente sabe de qué
estamos hablando. Los políticos también. Entonces, cuando haya necesariamente
un cambio por lo insostenible de este discurso, ellos van a ser solidariamente
responsables por su negligencia. Esto recién empieza. Van a tener que pagar. Me
duele mucho que los organismos de derechos humanos no asuman esto como una
transgresión a esos derechos, en su máxima expresión: están dañando el
territorio, la genética y el futuro. Y si no hacemos algo, va a ser cada vez
peor. Porque en el futuro van a venir nuevas biotecnologías y nos va a resultar
muy difícil identificarlas. Y hasta que eso ocurra ya habrán hecho aún más daño;
tendremos que empezar a investigar de nuevo. ¿Viste esas películas de la
devastación? Va a ser así algo así. En medio de esta postal desoladora, ¿qué
representa la ciencia digna? No me considero científica. Yo soy de trinchera,
trabajé con lo que muestran los pacientes y fui al lugar donde se enfermaban
para entender qué pasaba. Creo que la ciencia digna es eso: tratar de explicar
que pasó y que pasa con la sociedad en el momento en que te toca actuar. ¿Es
posible que la ciencia hoy juegue ese rol? Te tendría que definir primero a la
otra ciencia: la ciencia adicta al poder, la ciencia hegemónica que siempre
dijo lo que al poder le interesaba que diga, la ciencia al servicio de las
corporaciones, siempre con la complicidad de los Estados. Las universidades públicas
investigan hoy con fondos de Monsanto y de las farmacéuticas. ¿A quién le sirve
eso? Creo que la ciencia digna es Andrés Carrasco, que investigó y descubrió al
monstruo: el glifosato. Lo dijo públicamente y murió peleando por eso. Y quizás
sea un poco ese nuestro destino: pelear hasta morir, porque ya somos grandes”.
martedì 18 agosto 2015
UE e OGM: la grande truffa
di Chiara Madaro
La direttiva sugli
organismi geneticamente modificati (Ogm) pubblicata a marzo di quest’anno e
pubblicata sulla Gazzetta Ufficiale dell’Unione Europea con il titolo di “DIRETTIVA
(UE) 2015/412 DEL PARLAMENTO EUROPEO E DEL CONSIGLIO dell'11 marzo 2015”, è la
rappresentazione di quanto l’esperienza dell’Unione Europea sia, ormai,
diventata un coacervo di interessi, lontani dai principi ispiratori che hanno
permesso il suo battesimo. La direttiva in questione modifica la precedente (2001/18/CE)
e consente agli Stati Parti di legiferare autonomamente sul proprio territorio,
questo, almeno, quanto divulgato. Ma cosa c’è d’altro?
Dal testo della Direttiva si evince
come, di fatto, non esistano leggi comunitarie realmente restrittive in materia
di organismi geneticamente modificati. Una ammissione di incapacità nel
raggiungimento di accordi comuni, di una visione limitata sul futuro agricolo
dell’Europa. Una visione che ha già impoverito grossi settori produttivi
italiani e distrutto pregiate cultivar autoctone e, dunque, biodiversità
mediterranea/capacità produttiva.
La direttiva emanata in marzo, tra
l’altro, si contraddice nel momento in cui, dopo aver citato ciò che non è
possibile non ricordare, ovvero il principio di precauzione e la necessità di
accertarsi che le tecnologie utilizzate non danneggino ambiente e salute umana,
afferma quanto segue:
(5) “Quando
un OGM è autorizzato ai fini della coltivazione conformemente al quadro
normativo dell'Unione sugli OGM e soddisfa, per quanto concerne la varietà da
immettere in commercio, le prescrizioni del diritto dell'Unione sulla
commercializzazione delle sementi e dei materiali di moltiplicazione delle
piante, gli Stati membri non sono autorizzati a vietare, limitare o ostacolare
la sua libera circolazione nel loro territorio, salvo che alle condizioni
definite dal diritto dell'Unione”.
Oltre che un evidente
lesione del diritto di sovranità nazionale, un veto, dunque, al divieto di
utilizzo di Ogm. Un veto che, di fatto, annulla il messaggio che ha reso questa
direttiva così popolare (o impopolare) tra coloro che lottano contro la
biotecnologia degli Ogm da anni. Perché se anche fosse vero che il nostro Paese
legiferasse ‘contro’, se un produttore – come già accade – decidesse di avviare
una coltivazione Ogm, con queste poche righe, nessuno potrebbe impedirglielo.
In più parti,
inoltre, la nuova Direttiva specifica che i divieti a cui gli Stati possono
ricorrere riguardano la coltivazione e non il libero transito e commercio di
prodotti Ogm. Al punto 16 si afferma, infatti:
(16)
Le limitazioni o i divieti adottati ai sensi della presente direttiva
dovrebbero riguardare la coltivazione, e non la libera circolazione e
l'importazione, di sementi e materiale di propagazione vegetale geneticamente modificati,
come tali o contenuti in prodotti, e dei prodotti del loro raccolto, e
dovrebbero inoltre essere conformi ai trattati, in particolare per quanto
riguarda il principio di non discriminazione tra prodotti nazionali e non
nazionali, il principio di proporzionalità e l'articolo 34, l'articolo 36 e
l'articolo 216, paragrafo 2, TFUE.
Inutile dire che
questa norma
Un fatto grave se si
pensa che nessun Ogm può dichiarasi sicuro per il semplice fatto che non
conosciamo tutta la sequenza genica di ogni essere vivente e, dunque, non siamo
in grado di comprendere a cosa ci condurrebbe o ci sta conducendo l’uso di Ogm
e, non dimentichiamolo, di pesticidi, necessità collaterale alla biotecnologia
agraria.
Secondo l’Istituto
Biologico Italiano: “La funzione del Dna è ancora sconosciuta. In particolare è
sconosciuto il rapporto fra i geni e anche il rapporto di ogni parte con
l’intera molecola. Pertanto è molto rischioso modificare il Dna introducendo un
gene, perché non si sa che cosa questo possa provocare. E’ possibile che
provochi l’attivazione di un altro gene con produzione di sostanze indesiderate
(fenomeni allergici sull’uomo)”[1].
Motivo per cui l’Ibi contesta il principio di ‘soglia minima di tolleranza’
affermando che si tratta, di fatto, di un raggiro per i consumatori. Un raggiro
di cui siamo già vittime in quanto, senza saperlo, già consumiamo prodotti Ogm
importati dagli Usa dietro concessione della Comunità Europea. Se qualcuno si
fosse chiesto come mai si stia assistendo ad un’escalation delle allergie
alimentari e il motivo per cui è costretto a scegliere tra i piaceri della
buona tavola e la salute, forse, inizia a farsi un’idea.
E può iniziare a
farsi un’idea anche chi si scopre resistente ad alcuni antibiotici. Risale
ancora agli anni 90 un rapporto scientifico depositato alla Camera dei Comuni
britannica sull’indebolimento di difese immunitarie dovuto al consumo di
alimenti Ogm, mentre una ricerca olandese ha provato che il Dna contenuto in un
alimento non viene immediatamente disattivato ma impiega sei minuti, un tempo
durante il quale può passare ai batteri dell’intestino il gene di resistenza
agli antibiotici.
Il Premio Nobel per
la Pace Vandana Shiva, biologa e attivista nel campo dell’agricoltura
tradizionale afferma: “Con l’industrializzazione e la globalizzazione degli
alimenti, il problema della sicurezza alimentare diventa sempre più allarmante.
Su scala globale, assistiamo al diffondersi di nuove epidemie e alla mutazione
di patologie che diventano più virulente. (…) Negli ultimi decenni si sono
avvicendate due generazioni di nuove tecnologie connesse alla produzione
alimentare. La prima grande trasformazione comporta l’impiego di prodotti
chimici in agricoltura propagandato con il nome di Rivoluzione verde. I veleni
chimici utilizzati in guerra vengono riciclati in tempi di pace e distribuiti
come fertilizzanti sintetici e pesticidi. L’agricoltura e la produzione
alimentare si trovano così a dipendere da armi di distruzione di massa”[2].
L’Encefalopatia
bovina spongiforme con la sua variante umana (morbo di Creutzfeld-Jacob),
febbre suina, encefalopatie non mortali ma gravemente invalidanti, aviaria,
sono alcuni esempi di mutazioni di virus che dagli animali passano all’uomo
generando morti e malattie degenerative gravi.
Secondo la scienziata
indiana Shiva, lo Stato, anziché garantire i cittadini ed avviare protocolli di
controllo nei confronti delle grandi imprese, “le lascia libere di agire e
impone restrizioni ai piccoli produttori e alle culture locali fino a sancirne
l’illegalità”. Ancora al momento in cui scriveva (2005) Shiva valutava
positivamente la moratoria dell’Unione Europea sui prodotti agricoli e
alimentari geneticamente modificati in quanto tutelava il diritto alla
sicurezza alimentare. Ma molti prodotti confezionati, ad esempio, non sono
soggetti ad obbligo di etichettatura per cui non sappiamo cosa stiamo ingerendo
e, dunque, non possiamo scegliere, né fare una spesa consapevole.
Di fatto il fermo
imposto dalla UE era l’unico ostacolo alla libera circolazione di alimenti
senza controllo provenienti da Stati Uniti e Argentina, tra i maggiori
produttori di erbicidi e agricoltura Ogm.
Da qui la pronta
reazione di questi colossi agricoli in cerca di nuovi e fruttuosi mercati: il
13 maggio 2003 Stati Uniti, Argentina e Canada hanno impugnato la moratoria UE
lamentando una discriminazione nei confronti dei loro prodotti e affermando che
non poteva essere applicato il principio di precauzione ai prodotti Ogm.
Non sono in pochi, oggi,
a sospettare che la nuova direttiva europea sia un comodo ‘cavallo di Troia’ in
favore dell’accordo Commerciale Ttip, Accordo Trans-atlantico per il commercio
e gli investimenti con gli Usa (ed escludendi i Paesi del Bric, Brasile, Russia,
India, Cina). Un accordo che abbatterebbe molte barriere al momento esistenti,
che viene pubblicizzato come un modo per facilitare gli scambi e dunque le
opportunità di lavoro, di fatto un modo per le grosse imprese transnazionali
per oltrepassare e annullare limiti ambientali e diritti imposti attualmente
dalle leggi nei Paesi dell’Unione. Cosa se non un affronto per la sovranità
degli Stati?
Pubblico una serie di
20 interrogativi posti nel 2000 dall’Istituto Biologico Italiano in un libretto
informativo e divulgativo sugli “Alimenti geneticamente modificati”. Nella
serie di interrogativi – che dopo quasi 15 anni rimangono senza serie risposte
o azioni che vadano nella direzione dei diritti fondamentali dell’Uomo – anche
l’introduzione ad una questione scabrosa, di cui poco si parla e che può dare
la misura di quanto la scienza, sottomessa al potere di grosse entità
finanziarie e farmaceutiche, abbia aperto scenari a dir poco raccapriccianti
riguardanti l’umanizzazione di alcune
specie animali compatibili con il trapianto di organi e parti di corpo.
Venti quesiti non
risolti:
1-
Come si pensa di far fronte al
pericolo che la manipolazione del Dna abbia effetti imprevisti, dovuti al fatto
che la maggior parte dei geni di ogni organismo sono del tutto sconosciuti,
come pure sono sconosciute le relazioni che intercorrono tra un gene e l’altro?
2-
Come si può evitare che alcune
caratteristiche genetiche introdotte artificialmente nelle piante coltivate,
come ad esempio la resistenza agli erbicidi o ad alcuni parassiti, non venga
trasmessa, come già molto spesso è avvenuto, alle piante selvatiche rendendo
queste pericolosamente infestanti?
3-
Come si può evitare che gli insetti
‘utili’ vengano distrutti, come già molto spesso avvenuto, alle piante
selvatiche, rendendo queste pericolosamente infestanti?
4-
Come si può garantire che le
modificazioni genetiche non scatenino delle caratteristiche di tossicità (come
è avvenuto per la soia ibridata con la noce del Brasile e con il triptofano
negli Stati Uniti) pericolose per chi assume le sostanze modificate?
5-
Come si pensa, in definitiva, di poter
controllare i miliardi di reazioni, quasi tutte sconosciute, che legano le
infinite forme di vita, in un equilibrio che si è formato nei millenni e che è
in continua evoluzione? Se l’uomo incide comunque in questo equilibrio e porta
danni all’ambiente anche con le tecnologie fino ad oggi adoperate, non è questa
un’ottima ragione per usare maggiore cautela in un territorio (quello delle
manipolazioni genetiche) in cui l’azione può avere un impatto ancora più
devastante ed in cui la conoscenza è solo agli albori?
6-
Come si può evitare che la scelta di
alcune specie a più alto rendimento e di maggiore interesse economico per chi
non solo detiene il brevetto, ma può allo stesso tempo condizionare i mercati
globali, porti alla scomparsa delle colture e tradizioni locali (di minore
impatto ambientale) e soprattutto ad una rapida riduzione della biodiversità?
7-
Come si può evitare che i paesi in via
di sviluppo, ricchi di diversità genetica e privi di tecnologie, non subiscano
una nuova forma di colonizzazione da parte dei Paesi detti sviluppati, che
imporranno loro i diritti di autore su ogni coltivazione commerciale?
8-
Come si può evitare che i brevetti
sulle sequenze geniche e sui tessuti o cellule umane ostacolino un normale
progresso scientifico con l’introduzione del segreto industriale nella ricerca?
9-
Come mai in questo settore non ci si è
informati sul risultato disastroso che una simile legge ha prodotto negli Stati
Uniti? Come si legge sulla rivista scientifica Nature (12/12/96, vo.384,
p.500), negli Usa i maggiori istituti di ricerca come lo stesso Nih, non
richiederanno mai più brevetti su sequenze geniche o materiale cellulare e
condannano la prassi di concederli su scoperte e conoscenze che rappresentano
strumenti indispensabili per la ricerca.
Per
quale ragione l’Europa dovrebbe ripercorrere una strada già rivelatasi errata
altrove?
10 – Se l’industria
pensa al benessere del consumatore, per quale ragione essa ha fino ad oggi
ostacolato gli sforzi di quest’ultimo di soddisfare il suo diritto ad una
chiara etichettatura, che gli conceda la possibilità di scelta dei prodotti da
consumare?
11 – Se l’industria
vuole soddisfare la necessità di cibo nel mondo, ovvero ‘risolvere il problema
della fame’, per quale ragione ha brevettato la tecnologia Terminator, che
rende le piante sterili alla seconsa risemina, danneggiando gravemente gli
agricoltori dei Paesi poveri?
12 – Se gli organismi
modificati geneticamente causano danni alla salute o all’ambiente, chi pagherà
i costi di questi danni? La mancanza di una chiara etichettatura rende
impossibile risalire ai responsabili e la mancanza di studi scientifici
adeguati rende impossibile fare una previsione sulla entità del danno (ragione
per cui nessuna compagnia di assicurazione ha mai accettato di firmare una
polizza!).
13 – In materia di
xenotrapianti, come si può evitare che eventuali virus latenti, non
identificabili perché sconosciuti, vengano trasmessi dall’animale ‘donatore’
nell’organismo del ‘trapiantato’ con il rischio di scatenare, attraverso
quest’ultimo, una nuova imprevedibile epidemia (come quella dell’Aids) causata
dall’adattamento (molto aiutato dagli immunosoppressori impiegati) di uno di
questi virus alla specie umana?
14 – Sempre in
materia di xenotrapianti, come si può accettare (o evitare) che il trapiantato
divenga quella che i suoi chirurghi chiamano una chimera umana, le cui cellule, in tutto l’organismo, sono mescolate
con quelle dell’animale donatore?
15 – Se è consentito
creare animali transgenici ai fini della ricerca in modo tale che la loro
sofferenza o menomazione fisica siano proporzionali ai risultati ad all’utilità
medica per l’uomo, con quali criteri potranno essere valutate la sofferenza e
le menomazioni fisiche degli animali?
16 – Nel caso di
animali umanizzati per la ricerca
scientifica o per la donazione di organi con l’introduzione di alcuni geni
umani, quale numero massimo di geni si ritiene lecito inserire nell’animale (è
facile immaginare che la tendenza sia verso una umanizzazione sempre maggiore per rendere il modello animale sempre
più simile all’uomo o l’organo da trapiantare sempre meno soggetto al rigetto)
in base ad un normale concetto di rispetto del corpo umano ed in base anche al
recente voto dell’Assemblea Generale dell’Onu) (cfr. la domanda successiva)
17 – L’Assemblea
Generale dell’Onu ha fatta sua , il 10/12/98, la Dichiarazione sul Genoma Umano
dell’Unesco (11/97) per cui il Genoma Umano è patrimonio dell’Umanità e non può
essere oggetto di attività commerciali; come si può conciliare questo
importante accordo internazionale con una legge che consente i brevetti sulle
parti del corpo umano, privatizzandole ed equiparandole ad una merce?
18 – Come si può
brevettare, dunque equiparare ad una invenzione, quella che è la scoperta di
elemento esistente in natura, di una parte o di un tutto di un essere vivente,
che costituisce un elemento del patrimonio genetico tramandato da sempre su
questo pianeta? Se anche (ma questo non è il caso dei brevetti sui geni o sulle
parti del corpo umano) vi è l’introduzione di una modifica da parte dell’uomo,
questo non consente a quest’ultimo di dichiararsi ‘l’inventore’. Come ha detto
il giudice Marc Nadon, della Corte Federale canadese nel rifiutare il brevetto
all’oncotopo, “…hanno introdotto una modifica nel topo, non hanno mica
inventato il topo! Un animale non è materia prima per invenzioni”.
19 – Cui prodest?
Cioè: a chi giova? Visto che gli aumenti di produzione, anche quando presenti,
sono minimi e che i rischi sono così alti, a chi gioveranno gli Ogm se non agli azionisti delle industrie biotecnologiche?
20 – Se la diffusione
di Ogm dovesse rivelarsi un terribile errore, come si potrà ripulire il
pianeta?
lunedì 8 giugno 2015
Pronara Jà - il Brasile contro gli agrotossici
Il Programma Nazionale per la
Riduzione dell’Uso degli Agrotossici costituisce un modo per rispondere
positivamente alle istanze e alle rivendicazioni della società civile e dei
ricercatori che nell’avventura avveniristica dell’ingegneria genetica
rintracciano chiari segni di oltraggio alla sovranità dello Stato e di
incostituzionalità.
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